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20.2.14

0 PUBLICANOS E MERETRIZES PRECEDENDO OS FARISEUS

"....E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus!"
(Mateus 21:31)









Certa vez, o mestre disse uma palavra chocante aos fariseus,
algo que jamais pensariam em ouvir. Comentou que publicanos
e meretrizes os precederiam no reino dos céus.
Vamos pensar um pouco. As meretrizes dormiam com
muitos homens, viviam em função de sua sexualidade. Seus
comportamentos e diálogos não refletiam moral e
espiritualidade. Os publicanos, por sua vez, eram coletores de
impostos, extorquiam o povo, roubavam dos cofres públicos.
Amavam o dinheiro e não se preocupavam com o sofrimento
das pessoas sob o jugo do império romano. De outro lado, 
os fariseus faziam longas orações, ensinavam as Antigas Escrituras,
davam ofertas e tinham um comportamento socialmente
aprovável.
Qualquer um que fosse julgar estes homens, por mais
liberal e humanista que fosse, aprovaria os fariseus e colocaria
as meretrizes e publicanos em último plano. Ninguém teria a
coragem de dizer o que o Jesus disse. Parecia um absurdo dizer
que as prostitutas e os corruptos coletores de impostos
pudessem ser aprovados por Deus e os religiosos de Israel,
desaprovados. Como isso é possível?

No evangelho de Mateus, ele disse diversas vezes que seu
Pai tinha a capacidade de perscrutar a alma humana e ver o que
estava em secreto. Via o que os psicólogos e os psiquiatras não
conseguem ver. Penetrava diretamente no mundo psicológico
das pessoas.

Aos olhos do mestre de Nazaré os fariseus tinham uma
ética insuperável, mas por dentro, suas intenções e pensamentos
eram reprováveis.
A maquiagem espiritual e ética dos fariseus não convencia
o Autor da vida, não enganava o arquiteto do espírito e da alma
humana. Quem pode falar do homem internamente senão aquele
que o teceu?

Qual a vantagem das meretrizes e dos publicanos em
relação aos fariseus? Os sentimentos ocultos no coração
psicológico. Os fariseus eram orgulhosos, arrogantes, autosuficientes,
não precisavam de um mestre e nem de um médico
para reparar os pilares de suas vidas, por isso baniram
drasticamente aquele que dizia ser o filho do Altíssimo.
De outro lado, as prostitutas e os publicanos reconheciam
seus erros, injustiças e fragilidades, por isso amaram
intensamente Jesus. Não poucos deles choraram de gratidão
pela acolhida carinhosa do mestre da vida. Aquele que teceu o
homem amou a todos, mas só conseguiu tratar dos que admitiam
que estavam doentes, dos que tiveram a coragem de se achegar
a ele, ainda que com lágrimas.



Nestes tempos modernos valorizamos muito mais a
estética do que o conteúdo. Pioramos em relação aos tempos
do mestre de Nazaré. É fácil criticar os erros dos outros, enxergar
a arrogância de Caifás e a violência dos homens do sinédrio.
Todavia, precisamos nos perguntar: Será que não temos nos
escondido atrás de nossa ética e moral? Será que não estamos
saturados de orgulho e arrogância e não percebemos? Somos
especialistas em detectar os defeitos dos outros, mas péssimos
para enxergar os nossos.
Quando proclamamos “meu conhecimento teológico é
melhor do que o dos outros”, “minha moral é mais elevada do
que a deles”, será que Aquele que vê em secreto se agrada desses
comportamentos? Talvez alguns miseráveis de nossa sociedade,
aqueles para quem facilmente apontamos o dedo, tenham um
coração melhor do que o nosso.
Com princípios mais sábios dos que os apresentados por
sociólogos e ideólogos políticos, Jesus regulou as relações sociais.
Disse que com o mesmo critério que julgarmos os outros
seremos julgados. Se empregamos tolerância e compreensão, o
Autor da vida nos compreenderá e nos tratará com tolerância*.
E vai mais longe, diz a célebre frase: “Como quereis que os homens
vos façam, assim fazei-o vós também a eles”. Se queremos
compreensão, respeito, gentileza, amabilidade, devemos aprender
a ser compreensivos, gentis, amáveis.
Os que empregam tolerância compreendem as suas
próprias limitações e, por conhecê-las, enxergam melhor as
fragilidades dos outros. A compreensão, a tolerância e a
solidariedade são atributos dos fortes; a arrogância e a rigidez,dos fracos. 



Se prestarmos atenção naqueles que criticam
continuamente as pessoas que os rodeiam, veremos que eles
são estrangeiros em seu próprio mundo, nunca penetraram em
áreas mais íntimas de seu próprio ser. Os homens que não se
conhecem são especialistas em apontar o dedo para os outros.
Se os princípios estabelecidos pelo mestre da escola da
vida fossem vividos pela nossa espécie, os exércitos seriam
extintos; a agressividade, estancada e os soldados estariam
desempregados. Mas precisamos cada vez mais de soldados e
presídios. Temos de perceber que algo está errado.
O homem que não é juiz de si mesmo nunca está apto

para julgar o comportamento dos outros. 

Os fariseus da época de Jesus não estavam aptos a julgá-lo, 
pois eram incapazes de julgar a si mesmos. 
Eles o trataram como o mais vil criminoso.

O seu julgamento revelou a miséria que estava no âmago dos
homens do sinédrio. Por fora eram éticos, mas, quando se
sentiram ameaçados, foi-se embora a imparcialidade, justiça e
serenidade. Não levaram em conta a encantadora história do
mestre da sensibilidade.
Nunca alguém tão forte, inteligente, sábio e amável se
deixou passar por um julgamento tão humilhante. Ninguém
reagiu como ele no final da vida. Seus comportamentos eram
ímpares.
Que segredos escondiam-se no cerne do mestre da vida
para que ele derramasse sua alma na morte? Precisamos penetrar
em alguns desses segredos para entender a sua motivação de
morrer pela humanidade. Vejamos o plano mais ambicioso da
história!

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